John Higgins é um artista britânico conhecido principalmente por seu trabalho como colorista, sendo uma figura fundamental na consolidação do uso moderno da cor nos quadrinhos dos anos 1980.
Ele ganhou destaque internacional ao trabalhar em Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. A paleta de cores aplicada por Higgins foi essencial para a atmosfera da obra: tons frios, contrastes fortes e uso simbólico das cores ajudaram a reforçar o clima sombrio e psicológico da narrativa. Em uma época em que a colorização ainda era limitada por processos técnicos restritivos, Higgins conseguiu criar uma identidade visual marcante e sofisticada.
Seu trabalho também se destaca por compreender profundamente o papel narrativo da cor. Em Watchmen, por exemplo, as cores não servem apenas para preencher os desenhos, mas para guiar emoções, indicar mudanças de tempo e criar paralelos visuais entre cenas. A combinação de amarelo vibrante e roxo associada ao botão ensanguentado tornou-se um dos símbolos mais reconhecíveis da história dos quadrinhos.
Além de atuar como colorista, John Higgins também trabalhou como desenhista e roteirista em projetos posteriores, inclusive em histórias relacionadas ao universo de Watchmen. Sua carreira inclui contribuições para títulos da DC Comics e da indústria britânica.
O impacto de Higgins foi tão significativo que, décadas depois, quando novas edições de Watchmen foram publicadas com cores refeitas digitalmente, muitos leitores e críticos defenderam a superioridade da versão original. Isso reforça o quanto sua contribuição foi essencial para a identidade visual da obra.
John Higgins ajudou a provar que a cor é parte integrante da narrativa dos quadrinhos — não apenas um complemento estético, mas um elemento estrutural da história.